Maria Bethania: Drama.

Maio 31, 2009

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“Um dos marcos na discografia de Maria Bethânia, este Drama – que significa “ação” em grego e designa logo de cara sua verve teatral – já começava com um Ponto contra o autoristarismo da ditadura: ’sou eu que me deito tarde/Sou eu que levanto cedo/ Sou eu que realço tudo/ Sou eu que não tenho medo.’ A mensagem era confirmada em outras faixas, como Negror dos tempos,  que produziu o álbum da irmã, tão logo chegou do exílio forçado em 72, presenteando-a ainda com uma de suas primeiras canções escritas no feminino: Esse cara. Esta canção logo se tornaria a faixa de maior sucesso deste LP ao lado de Estácio, Holly Estácio, pérola de Luiz Melodia que ele teve a felicidade de lançar um anos antes de ele gravar o seu primeiro LP.

Seu nome enigmático  - Drama/Anjo Exterminado - tem algumas curiosidades. Se o subtítulo foi obviamente colocado para saudar a canção de Macalé e Waly Salomão, Drama não era apenas o nome de uma canção de Caetano. “Drama significava teatro em Santo Amaro. Na minha terra não se falava a palavra teatro, se dizia: ‘eu vi um drama, vai ter um drama tal dia.’ “, explica hoje a cantora, dizendo ainda que há muito no mano Caetano nesse disco, por ter sido por ele, inclusive em sua conceituação.

Este álbum falava ainda sobre a força do ato de cantar na faixa-título (“Eu minto, mas a minha voz não mente (…) E, ao fim de cada ato, limpo num pano de prato as mãos sujas do sangue das canções”), mas uma de Caetano, que ainda compôs com Gil outra maravilha para este disco: Iansã, indo de encontro à forte religiosidade da cantora, devota assumida do candomblé. Do passado Bethânia garimpou o fado Maldição, do repertório de Amália Rodrigues, o samba Volta por cima, lançado por Noite Lustrada em 62 e o belo samba-canção Bom-dia, sucesso de Linda Batista, em 42. Finalmente, ainda deu uma de letrista em Trampolim, com música do mano. Até hoje, além desta, ela só lançaria mais cinco canções com a sua assinatura: Luz da Noite (presente no show Drama 3º ato, de 73), Pássaro Proibido (faixa-título do seu LP de 76) e Caras & Bocas (faixa título do LP de Gal Costa, de 77) em parceria com Caetano, e mais Reino antigo (do show que fez com Caetano, em 78) e Cana Caiana (que fez em homenagem à amiga Zezé Motta, em 79) – ambas com música da violonista Rosinha de Valença. 

Drama também foi lançado na Argentina (com outra capa, escura, com ela no palco e o título escrito em rosa) pelo selo Trova, o mesmo que registrou em disco seu encontro com Toquinho & Vinícius no ano anterior, quando realizaram uma série de apresentações em Mar del Plata, resultando no LP Vinícius + Bethânia + Toquinho En la Fusa (Mar del Plata) – que trouxe o nome da casa de shows e da cidade balneário no título por questões comerciais, pois o LP, em verdade, foi gravado em dois dias num estúdio de Buenos Aires, numa rápida escapada do trio, durante a temporada. Aliás, era a primeira viagem da cantora à Argentina. 

O ano de 1972 foi bem agitado para Bethânia. Além de ter reecontrado o irmão, Caetano, depois de um longo tempo exilado, ela deu asas à sua carreira internacional. Em janeiro, esteve na Europa, representando o Brasil no Festival de MIDEM, em Cannes, e cantando também em outras cidades da França e da Itália. No final do ano, seguiu em tournée de 38 concertos com o Terra Trio, num show de expoentes da MPB, onde também havia sets com Paulinho da Viola e Sebastião Tapajós, entre outros, começando em Frankfurt e terminando em Paris. Essa excursão deixou para a posteridade um disco intitulado Não tem solução (Caymmi) e um pot-pourri nordestino. Também apresentou (por um curto período) o programa MEC-Música, na TV Globo, mas logo viu que este não seria o seu veículo favorito e demitiu-se da empreitada. Em junho, também estreou o filme Quando o carnaval chegar, onde atuou ao lado do ator Hugo Carvana e dos colegas Chico Buarque e Nara Leão, formando com ambos um trio de cantores mambembes que protagonizavam a trama. A trilha do filme saiu em disco naquele mesmo ano pela Philips, onde a cantora lançava duas pérolas buarquianas de sua discografia: Baioque e Bom Conselho.Rodrigo Faour (Maio/2006)

 


A Sonata a Kreutzer.

Maio 21, 2009

“Na primavera de 1803, o compositor foi convidado a apresentar em Viena uma sonata inédita para piano e violino. Seu acompanhante neste instrumento foi um jovem mulato, George Bridgetower, filhe de mãe polonesa e pai negro, ex-escravo nas Antilhas, que uma vez na Europa tornara-se valete dos Esterházy, família da aristocracia austro-húngara. O afro-polonês revelou-se desde cedo um prodígio ao violino, tendo sua precocidade comparada à de Mozart. 

Para o concerto de Viena, Beethoven entregou a parte do violino poucas horas antes da apresentação. Ainda assim o espetáculo foi um sucesso. Dizem os relatos que, a certa altura do primeiro movimento, após uma passagem dificílima para o piano, Bridgetower teria inesperadamente recriado o mesmo trecho ao violino, obtendo a aprovação entusiástica de Beethoven, que se ergueu do teclado, correu até ele para saudá-lo, e voltou a tempo de continuar tocando. A performance foi tão arrebatadora que, em seguida, Beethoven anunciou que dedicaria a obra a Bridgetower – e escreveu na partitura: Sonata per un mulaticco lunattico.  

Mais tarde, quando bebiam juntos, o jovem violinista, que, segundo consta, exercia grande atração junto às mulheres, fez um comentário de cunho particular sobre uma dama conhecida de Beethoven. Enfurecido, este pediu de volta a partitura e rasgou a dedicatória, intitulando-a mais tarde Sonata a Kreutzer, em homenagem a Rodolphe Kreutzer, tido então como o maior nome do violino na Europa. George Bridgetower faleceu em 1860, num asilo para indigentes em Londres, inteiramente esquecido pelo mundo musical – e Kreutzer, por sua vez, ao receber a partitura desta que é uma das sonatas mais célebres da história da música, considerou-a impossível de ser tocada e jamais apresentou a obra em público.

Tolstói conhecia a peça de Beethoven, mas voltou a ouvi-la na primavera de 1888 numa apresentação em sua própria casa. O impacto foi tão grand que o escritor retomou uma idéia que já acalentara antes, de escrever um monólogo dramático conturbado, à maneira de Dostoiévski, para ser levado ao palco pelo ator Andreyev-Burlak, também presente naquela audição. 

Trabalhando intensamente neste projeto, e somando a ele o desconforto que experimentava em seu próprio casamento, a leitura de manuais de ginecologia e de conselhos médicos para a gravidez e a higiene feminina, bem como o relatoque ouvira certa vez das angústias de um homem ante a infidelidade de sua esposa, Tolstói condensou, no tempo de uma viagem de trem, uma narrativa de caráter alucinatório, cujos movimentos parecem dialogar com as escalas vertiginosas que piano e violino exploram na obra de Beethoven.

Ainda antes da sua publicação definitiva em 1891, cópias do manuscrito espalharam-se pela Rússia, provocando enorme escânda-lo e respostas variadas, como a de Nikolai Leskov, que escreveu “A propósito de A Sonata a Kreutzer” que se contrapõe à moral severa do autor de Guerra e Paz. Sob qualquer ângulo que seja considerada, entretanto, esta novela de Tolstói constitui uma obra-prima sobre a incompreenão mútua etre homens e mulheres, na qual o andamento inexorável da tragédia não obscurece a lucidez cristalina de sua linguagem” Boris Schnaiderman in Tolstói, A Sonata a Kreutzer.  


Ladino.

Maio 18, 2009

 

Axérico de quinze años
Su ermozura es una.

Ya así empezó azer el amor
Como una criatura.

Siete ciudades yo pasí
De París asta Londra

Y como tí, yo no topí
Aunque sos morena.

A morena, morena de mi corazón
Con un beso y un abrazo
Dámelo tu con amor
Sabrás mi morena
Que por tí me muero yo.


Simple Minds.

Abril 8, 2008


Akira + Rammstein.

Março 27, 2008

“Nichts ist für dich
nichts war für dich
nichts bleibt für dich
für immer”


Serge.

Fevereiro 16, 2008


I have my freedom…

Fevereiro 11, 2008

…But I don’t have much time.