Beauvoir

Julho 29, 2009

“(…) Être féminine, c’est se montrer impotente, futile, passive, docile. La jeune fille devra non seulment se parer, s’apprêter, mais réprimer sa spontanéité et lui substutuer la grâce et le charme étudié que lui enseignent ses aînées. Toute affirmation d’elle-même diminue sa féminité et ses chances de séduction. Ce qui rend relativement facile le départ du jeune homme dans l’existence, c’est que sa vocation d’être humain et de mâle ne se contrarient pas: déjà son enfance annonçait ce sort heureux. C’est en s’accomplissant comme indépendance et liberté qu’il acquiert sa valeur sociale et concurremment son prestige viril: l’ambitieux,  tel Rastignac, vise l’argent, la gloire et les femmes d’un même mouviment; une des stéreotypies qui le stimulent, c’est celle de l’homme puissant et célèbre que les femmes adulent. Pour la jeune fille, au contraire, il y a divorce entre sa condition proprement humaine et sa vocation féminine. Et c’est pourqoui l’adolescence est pour la femme un moment si difficile et si décisif. Jusqu’alors elle était un individu autonome: il faut renoncer à sa souveraineté. Non seulment elle est déchirée comme ses frères, et d’une manière plus aigüe , entre le passé et l’avenir; mais en outre un conflit éclate entre sa revendication originelle que est d’être sujet, activité, liberté, et d’autre part ses tendances érotiques et les sollicitations sociales qui l’invitent à s’assumer comme objet passif. Elle se saisit spontanément comme l’essentiel: comment se résoudra-t-elle à devenir l’inessentiel? Mais si je ne peux m’accomplir qu’en tant qu’Autre, comment renoncerai-je à mom Moi? Tel est l’angoissant dilemme devant lequel la femme en herbe se débat. Oscillant du désir au dégoût, de l’espoir à la peur, refusant ce qu’elle appelle, elle est encore en suspens entre le moment de l’indépendance enfantine et celui de la sousmission féminine: c’est cette incertitude qui lui donne au sortir de l’âge ingrat un goût acide de fruit vert.” Simone de Beauvoir, Le Deuxième Sexe Vol. II, p. 98/99


Prévert

Maio 9, 2009

“Il y a des gens qui dansent sans entrer en transe et il y en a d’autre qui entrent en transe sans danser. Ce phénomène s’appelle la Transcendance et dans nos régions il est fort apprécié.” Jacques Prévert


Nietzsche.

Julho 2, 2008

 ”The psychology of the orgiastic as an overflowing feeling of life and strength, where even pain still has the effect of a stimulus, gave me the key to the concept of tragic feeling, which had been misunderstood both by Aristotle and even more by modern pessimists. Tragedy is so far from being a proof of the pessimism (in Schopenhauer’s sense) of the Greeks that it may, on the contrary, be considered a decisive rebuttal and counterexample. Saying Yes to life even in its strangest and most painful episodes, the will to life rejoicing in its own inexhaustible vitality even as it witnesses the destruction of its greatest heroes — that is what I called Dionysian, that is what I guessed to be the bridge to the psychology of the tragic poet. Not in order to be liberated from terror and pity, not in order to purge oneself of a dangerous affect by its vehement discharge — which is how Aristotle understood tragedy — but in order to celebrate oneself the eternal joy of becoming, beyond all terror and pity — that tragic joy included even joy in destruction”  F. Nietzsche, The Birth of Tragedy.


Derrida.

Junho 9, 2008


Simone de Beauvoir.

Março 27, 2008
“(…)Lembrou-se de repente: a casa estava vazia, de venezianas descidas por causa do sol. Estava escuro. No patamar do primeiro andar uma menina, grudada ao muro, retinha a respiração. Era esquisito encontrar-se ali sozinha, enquanto toda a gente estava no jardim. Era esquisito e metia-lhe medo. Os móveis tinham omesmo ar de todos os dias, mas, ao mesmo tempo, estavam mudados. Tudo em torno dela era denso, pesado, secreto. Sob a estante e debaixo do consolo estagnavam sobras espesas. Ela não tinha vontade de fugir mas sentia o coração apertado.
No espaldar de uma cadeira estava pendurado um casaco velho. A velha Anna limpara-o com benzina, ou tirara-lhe a nafitalina e pusera-o ali a toamr ar. Era muito velho, tinha um ar cansado. Não podia, no entanto, queixar-se, como Françoise se queixava quando se magoava, não podia mesmo dizer, lamentando-se: “Sou um velho casacom fatigado”. Tudo isso era estranho. Françoise tentou pensar como se passariam as coisas se não pudesse dizer: “Eu sou Françoise, tenho seis anos, estou na casa da vovó”, se não pudesse dizer absolutamente nada. É como se não existisse. E, no entanto, mesmo neste caso, as outras pessoas vinham aqui, viam-me, falavam de mim. Tornou a abrir os olhos: voltou a ver o casaco que existia sem ter consciência disso. Havia qualquer coisa que a irritava, que lhe metia medo. Para que lhe serve existir se ele não sabe disso? Refletiu: Talvez haja um meio de resolver o problema…Visto que posso dizer “eu” por que não hei de dizê-lo em lugar do casaco? Afinal, ficou desapontada. Por mais que olhasse o casaco, sem ver mais nada, e por mais que dissesse “sou velho, estou fatigado”, nada se passava. O casaco continuava ali, indiferente, estranho, e ela continuava a ser Françoise. De resto, se ela se transformasse no casaco deixaria de ter conhecimento das coisas. Sentiu então que a cabeça lhe andava à roda e desceu a correr para o jardim.” Simone de Beauvoir, p. 135/36, A Convidada.

Amós Oz.

Fevereiro 13, 2008

“Agora ouve-se uma sirene dentro da escuridão. Porque a escuridão é absoluta lá fora, a não ser por um fino traço de tom violeta radioativo na linha do horizonte. Uma sirene na escuridão conforme as palavras de Jesus, “um lamento e um ranger de dentes.” Teria sido um barco? Ou um trem chegando das estepes? Difícil saber, poqrue também o vento sopra num frenesi de tom único e agudo. E a falta de luz continua. Meus olhos doem por escrever nesta luz mortiça. Tenho aqui no escritório uma cama, um armário e um pequeno banheiro. Mas a cama estreita, entre dois arquivos de metal, subitamente me amedronta. Como se houvesse nela um cadáver. Certamente são apenas as roupas que despejei apressado da mala quando voltei de Londres esta manhã.

Outra vez a sirene. Agora, mais perto. Portanto não é um barco nem um trem, mas um veículo de emergência. Ambulância? Carro de polícia? Houve um crime em uma das ruas próximas. Alguém está com problemas. Ou começou um incêndio – uma casa incendiou-se e ameaça levar consigo os vizinhos e todo o quarteirão? Um homem decidiu que basta e pulou do telhado de m arranha-céu? Alguém que viveu pela espada morreu pela espada?

A luz de emergência lança sua palidez sobre mim. É uma luz fantasmagórica de mercúrio, como as das salas de operações. Antigamente eu gostavade você, e tinha uma imagem na cabeça: eu e você numa noite de verão, sentados na varanda da nossa casa diante das colinas de Jerusalém, o menino brincando com alguns tijolos. Taças de soevete sobre a mesa. E um jornal que não estamos lendo. Você borda uma toalha e eu construo uma cegonha com uma pilha de palitos. Era essa a imagem. Não fomos capazes. E agora é tarde.” A Caixa-Preta, Amós Oz.


Quote!

Janeiro 29, 2008

« Connaître, dit Sartre, c’est s’éclater vers, s’arracher à a la moite intimité gastrique pour filer là-bas, par delà soi, vers ce qui n’est pas soi, la-bàs près de l’arbre et cependant hors de lui, car je ne peux pas plus me perdre en lui qu’il ne peut se diluer en moi : hors de lui, hors de moi. »


…e uma bebida por perto porque você pode estar certo que vai chorar.

Janeiro 25, 2008


Les Amants du Flore.

Janeiro 20, 2008

  

Sem palavras.


Jacques Derrida.

Janeiro 16, 2008