“If Socrates was born, then Socrates was generated either when Socrates did not exist or when Socrates already existed. But if he is said to have been generated when he already existed, he will have been generated twice; and if when he did not exist, then at the same time Socrates both existed and did not exist – he existed insofar as he had been generated and he did not exist by hypothesis. And if Socrates died, he died either when he was alive or when he was dead. He did not die, when he was alive – for then the same man would have been both living and dead. Nor when he was dead; for then he would have been dead twice. Therefore Socrates did not die.”5 [It is implicit from the beginning that there is a time at which Socrates existed. Sextus chose not explicitly to draw, though they do follow, the additional conclusions that Socrates was not born, that Socrates existed always, and will always exist, and that it is the same for everyone, that is, that for every x, if x ever exists, then x existed always and will always exist.]“
‘…two lives may be saved.’
Janeiro 31, 2008Alguma vez você já sentiu como se o seu laço com o mundo estivesse prestes a se desfazer? Faz um ano um sentimento muito estranho tomou conta de mim. Como se estivesse rodeada pelo mais absoluto silêncio não percebo a mágica que as pessoas podem proporcionar umas as outras com os seus movimentos e as suas palavras. A linguagem já não parece ser algo capaz de me chamar à realidade. Existe um abismo sem fundo entre mim e os outros. Esses outros que não são outros de mim mesma, mas permanecem afixados numa paisagem como os bonecos desprovidos de volume numa colagem onde se misturam cores e cenários pobres de sentido. Eis o que me aborrece: nada mais faz sentido. E, no entanto quando afirmo tal coisa sinto medo. Afinal, se tudo não passa de um enorme engano o que posso dizer de mim mesma? Se a linguagem já não é suficiente, e falha no mais simples gesto das minhas mãos, ou nas palavras que articulo em meus lábios. O que sou eu diante deste mundo que não me pertence? Ou que me pertence, mas do qual me subtraio. E, por que me subtraio?
O primeiro passo para alcançar a resposta para todas essas questões está no meu engajamento com o próprio vazio que sinto. É unicamente através dele e de sua manifestação sem pré-questionamentos que posso ensaiar me situar diante de mim, e diante do outro que permanece desconhecido. Neste vazio, na medida em que me ausento de mim, devo encarar como possibilidade o que sou diante do outro. Talvez isto funcione como uma experiência de quase-morte onde as pessoas dizem estar postas acima dos seus próprios corpos enquanto observam o desdobramento do que lhes será feito. Então, flutuo neste vazio. E se o outro me é apresentado como carente de dimensões, também eu estou como ele carente de dimensões: não tenho peso. Sou mais um boneco afixado sobre uma colagem. Porque essa colagem é a nossa realidade última. E, até que saiba romper esse destino ou ultrapassar o abismo que me separa do mundo preciso encontrar uma maneira de me fazer outro, e isto só é possível na medida em que encontre uma maneira de me comunicar. Para isso não posso estar apenas ausente de mim, afinal não é suficiente alienar-se o que resultaria apenas na mesma (falta de) situação que vivencio no presente, mas é necessário que em me ausentando de mim mesma sinta fome de estar novamente comigo. É neste ponto que não posso me deixar subtrair, mas apenas ocultar. Pois, se tenho fome de mim e vontade de estar comigo, este mundo é obra do que faço para alcançar novamente a mim mesma através do outro, para quem sou o outro. E porque ele também sente fome de si, este mundo é nosso e apenas unidos pela linguagem que nos permanece ainda desconhecida seremos capazes nos lançarmos ao que somos. E o que somos exige volume, pois o desvelar de nós mesmos demonstra cada aspecto do que já deixamos de ser, e mesmo assim permanecemos. Porque o que somos é o que jamais conseguiremos ser, senão em devir. Assim, do volume das nossas próprias dimensões nasce o peso que apenas aquele para quem ainda não sou consegue sentir, mas que logo, mediante a força que aplico contra mim mesma para me soltar do cenário em que me encerro (o silêncio) sentirei com toda violência. Este peso sobre o qual repousa o meu corpo é a prova da minha liberdade.
Relato de uma Fossa.
Dezembro 17, 2007Não quero reduzir a experiência filosófica do século XX a uma escola de pensamento. Igualmente, não pretendo encontrar cabelo em sovaco de cobra, tentando estabelecer semelhanças entre pensamentos por vezes diametralmente opostos. Mas, inevitavelmente persisto na crença de que mesmo os antagonismos brotam de um diálogo constante no seio da História da Filosofia: o momento da refutação é igualmente um momento de afirmação do que se procura negar. Ora, tudo carrega em si o seu oposto. Quando se resta esquecido desta premissa, todo pensamento padece. Assim, considero irresponsável a atitude servil que alguns são capazes de tomar diante de um pensador. Como se este sozinho pudesse lhe traduzir a realidade, para quietar uma angústia lhe fazendo consumir conceitos como se fossem calmantes. Não consigo compreender, mas talvez seja louca, e o absurdo da minha condição é constatar que alguns, enquanto servos se atiram na defesa do mestre com todas as armas, quando o que se espera de um bom discípulo é o enfrentamento, e mais tarde o inadiável parricídio.
Escrito por Juliana de Albuquerque K. 
Escrito por Juliana de Albuquerque K. 
Escrito por Juliana de Albuquerque K. 