“Mais il faut choisir: vivre ou raconter.” (Jean-Paul Sartre)
Hoje é o dia mais esperado do semestre. No entanto, me deixo tomar pela angústia e passo a constatar que todo o meu percurso futuro é uma folha em branco.
Normalmente, para quem escreve, uma folha em branco representa um problema, ou a necessidade de se destacar das experiências pessoais passadas para construir algo novo e vibrante. Porém o novo, anunciado por um esvaziamento, e portanto, por uma separação, não é certo. O futuro nada diz, ele é a possibilidade vislumbrada pelo que não somos em busca do que é.
Mas, ‘o que é?’, pergunto ao caminho que se abre. Ele não responde. A pergunta retorna para mim. Ela cai sobre mim. Ela me assalta. E descubro finalmente que não existem preceptores para a vida, tratando-se, enfim, Virgílio de uma ilusão para o poeta.
A solidão fere cada um dos meus atos. E, eu que sou personagem de mim mesma noto nas últimas páginas de um livro:“O seu ato pertencia-lhe apenas a ela. Fui eu quem quis. Era a sua vontade que, neste momento, estava se realizando.”(Beauvoir)
Assim, faço Dante assassinar o seu mestre. E me desfaço dos meus próprios entraves de consciência: no meio do caminho de nossas vidas.
“Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma povoada de sonhos eu tinha…
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.”(Bilac)

Dezembro 8, 2008 às 2:42 am |
Nada como voltar a ser profícuo!!!
Beijos!
Boa sorte com as páginas em branco chamado “futuro”…