Era uma vez: um parágrafo.

Era uma vez alguém que não é mais, num lugar que não existe, onde as sombras não pesam e a memória é pouca. Era uma vez uma história que não adianta ser contada, porque toda história não faz sentido para quem escuta e perde sempre o sabor para quem conta. Era uma vez, não mais que uma vez, porque sempre tudo se resume a uma única vez ao nascer, ao espanto e à amnésia; uma vida que não se deixava imitar, e se esvaziava, não se continha e partia para nunca mais num sorriso.

Uma resposta para “Era uma vez: um parágrafo.”

  1. Laura Maciel Freire de Azevedo Disse:

    Excelente parágrafo, Juliana!!!

    Um tanto triste, mas está muito bem escrito. Obriga a pensar e todo texto que produz tal coisa é digno de aplausos!!!

    Discordo de algumas coisas…:
    primeiro: histórias fazem sentido. Depende de quem conta, com certeza, mas depende muito mais de quem escuta…
    segundo: nem tudo se resume ao nascer; o que acontece antes disto é fundamental; e o que vai acontecer depois é decisivo…

    O que eu concordo:
    “… uma vida que não se deixava imitar, e se esvaziava, não se continha e partia para nunca mais num sorriso.”
    Por não se deixar imitar, a vida se esvaía, pois não deixava marcas, nem lembranças.
    Há características que são inimitáveis, mas podem ser uma fonte de inspiração para novas características. Isso só com a convivência. Oh, e essa vida não se permitiu a isso!!!
    Se ela não se continha, porque “partiu para nunca mais”? Por que não “partiu para o outro”? ou “para uma nova vida?”
    Por que desistiu?

    O mais triste em tudo é esse sorriso no final. Satisfação? Ironia?
    Pena que um símbolo de alegria também possa significart tristeza.Mas assim é com todos os símbolos: beijos são carinho ou traição.

    Reafirmo que gostei do parágrafo. É excelente. Gostei do site também. O layout é interessante.

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