Era uma vez alguém que não é mais, num lugar que não existe, onde as sombras não pesam e a memória é pouca. Era uma vez uma história que não adianta ser contada, porque toda história não faz sentido para quem escuta e perde sempre o sabor para quem conta. Era uma vez, não mais que uma vez, porque sempre tudo se resume a uma única vez ao nascer, ao espanto e à amnésia; uma vida que não se deixava imitar, e se esvaziava, não se continha e partia para nunca mais num sorriso.
Julho 1, 2008 às 2:19 pm |
Excelente parágrafo, Juliana!!!
Um tanto triste, mas está muito bem escrito. Obriga a pensar e todo texto que produz tal coisa é digno de aplausos!!!
Discordo de algumas coisas…:
primeiro: histórias fazem sentido. Depende de quem conta, com certeza, mas depende muito mais de quem escuta…
segundo: nem tudo se resume ao nascer; o que acontece antes disto é fundamental; e o que vai acontecer depois é decisivo…
O que eu concordo:
“… uma vida que não se deixava imitar, e se esvaziava, não se continha e partia para nunca mais num sorriso.”
Por não se deixar imitar, a vida se esvaía, pois não deixava marcas, nem lembranças.
Há características que são inimitáveis, mas podem ser uma fonte de inspiração para novas características. Isso só com a convivência. Oh, e essa vida não se permitiu a isso!!!
Se ela não se continha, porque “partiu para nunca mais”? Por que não “partiu para o outro”? ou “para uma nova vida?”
Por que desistiu?
O mais triste em tudo é esse sorriso no final. Satisfação? Ironia?
Pena que um símbolo de alegria também possa significart tristeza.Mas assim é com todos os símbolos: beijos são carinho ou traição.
Reafirmo que gostei do parágrafo. É excelente. Gostei do site também. O layout é interessante.