‘Our love goes under the knife…’
Acordei. Fato normal. Acordei e desejei não estar naquele quarto, deitada na mesma cama de sempre e envolvida pelo edredom cor-de-rosa que tenho desde os quatro anos de idade. Acordei, já disse. Fato normal e até mesmo comum para todos que estão vivos. Aliás, não tão comum como deveria ser. As pessoas em coma não costumam acordar. Mas, o que dizer daquelas que sofrem de amnésia? Não sei. Não, não sei mesmo. Mas, de qualquer forma acredito que devam acordar. Desmemoriadas, claro. Vazias de significado, também. Acordam como qualquer outra pessoa, porém alheias a própria identidade.
Deve ser um sentimento mágico estar dissociado de si mesmo. Quantas vezes desejei perder minha essência na realidade que passa veloz pelas movimentadas avenidas do centro! Ora, já perdi as contas das ocasiões em que brinquei de me deixar esquecer apenas para tornar a me perceber: renovada.
Entretanto existem momentos em que não ouso ambicionar recobrar a minha essência. São momentos através dos quais quero deixar de ser para simplesmente me permitir invadir pelo mundo. E mesmo que por alguns minutos todo o mundo estivesse resumido a uma mera representação nada mais importaria. Não sei. Não sei mesmo. De qualquer forma ficaria feliz em saber que por alguns instantes o mundo poderia estar figurado em você. Assim, quem sabe, abandonaria o cigarro, a bebida e os maus hábitos. Consentiria passar todas as minhas noites em claro visto que residiria líquida em seus próprios sonhos e, por fim, ai! Acordaria quente dentro do seu corpo, num beijo, pelo primeiro raio de sol. Porque também seria o raio de sol e inundaria cada canto do seu quarto, vivo, agora, para você, em mim, na minha ausência e na constância de cada objeto ao seu lado.
Bom dia, amor. Bom dia. Acordei. Fato normal. Faz frio. Talvez acenda um cigarro, não sei. Realmente não sei. Mas enquanto não inventarem os bisturis d’alma permitirei ser consumida por pensamentos de você.
‘…two lives may be saved.’
Fevereiro 2, 2008 em 1:44 pm
Hmmm…
Auto-indagações filosóficas ao acordar…
Viver é mesmo complexo, não? Como saber se devemos buscar nossa essência ou sermos simplesmente invadidos pelo mundo? Como saber?
Terça pretendo postar um desabafo em meu fotolog, gostaria que você desse sua opinião. =O