Dezembro 31, 2007

“En presque aucun pays son statut légal n’est identique à celui de l’homme et souvent il la désavantage considérablement. Même lorsque des droits lui sont abstraitemente reconnus, une longue habitude empêche qu’ils ne trouvent dans les moeurs leur expression concrète. (…) Outre les pouvoirs concrets qu’ils possèdent, ils sont revêtus d’une prestige dont toute l’éducation de l’enfant maintient la tradition: le présent enveloppe le passé, et dans le passé toute l´histoire a été faite par les mâles. Au moment où les femmes commencent à prendre part à l’élaboration du monde, ce monde est encore un monde qui appartient aux hommes: ils n’en doutent pas, elles en doutent à peine. Refuser d’être l’Autre, refuser la complicité avec l’homme, ce serait pour elles renoncer à tous les avantages que l’alliance avec la caste supérieure peut leur conférer. L’homme-suzerain protégera matériellement la femme-lige et il se chargera de justifier son existence: avec le risque économique elle esquive le risque métaphysique d’une liberté qui doit inventer ses fins sans secours. En effet, à côté de la prétention de tout individu à s’affirmer comme sujet, qui est une prétention éthique, il y a aussi en lui la tentation de fuir sa liberté et de se constituer en chose: c’est un chemin néfaste car passif, eliéné, perdu, il est alors la proie de volotés étrangères, coupé de sa transcendance, frustré de toute valeur. Mais c’est un chemin facile: on évite ainsi l’angoisse et la tension de l’existence authentiquement assumée. L’homme qui constitue la femme comme un Autre rencontrera donc en elle profondes complicités. Ainsi, la femme ne se revendique pas comme sujet parce qu’elle n’en pas les moyens concrets, parce qu’elle éprouve le lien nécessaire qui la rattache à l’homme sans en poser la réciprocité, et parce que souvent elle se complaît dans son rôle d’Autre.” Simone de Beauvoir, Le Deuxième Sexe, pg. 20/21.
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razão |
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Escrito por Juliana de Albuquerque K.
Dezembro 19, 2007
Perdida no gosto do teu atraso passo, ardente, em gozo sobre as minhas memórias. Arrasto, pelo asfalto, a minha sombra rubra do sangue que deixei correr, pela contramão da vida, em sensações travestidas de humanidade: barbaridades que transformo em arte.
É a fumaça de cigarro que se dissolve em figuras da libido. O vinho que transborda e rompe a castidade da toalha para tornar a mesa nua no palco dos meus bacanais de verdades inconstantes e desejos moribundos.
Ai, humano é acertar em espírito quando o erro da carne aos deuses pertence. Assim assalto o teu o olhar por mentiras e brinco com o reflexo da minha loucura na ausência dos teus pensamentos.
A única paixão que sinto transfere-se para o momento. Na liturgia do profano, eu, beata, sigo estranha às imagens repletas de sentido. A realidade se faz fenômeno e a energia que desperdiças na moral se volta contra a força daquilo que jamais serás hábil a realizar na história.
Homem de pouca fé! Pintar um mundo em cores quando se falta luz é vender a alma ao pecado. A liberdade não se faz numa alcova. A mente não compra o concreto e tudo que se constrói por sonhos se desfaz em verbos. Assim, nada mais, nem mesmo a linguagem persiste no conforto.
O trabalho do crente é ferir as mãos nas ruas e deixar escorrer, pelo asfalto, a dor que roubou dos outros. Inútil é o teu esforço que se dá ao transcendentalismo e aos deveres enquanto todo o mundo é dança; tu, apenas, desgosto.
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imaginação |
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Escrito por Juliana de Albuquerque K.
Dezembro 18, 2007
‘Flĕctere si nequĕo superos, Acheronta Movebo.’
No minuto que antecede ao silêncio ela tirou os sapatos, e com os pés tocando a grama seguiu a caminhada. Era tarde e nada por ela passava: tudo permanecia em vão.
Deixou a saia afundar em uma poça d’água, o tecido estampado tornou-se denso e triste, as cores foram perdendo o sentido e finalmente morreram, afogadas no tédio das suas memórias incertas.
A blusa, jogou-a ao vento. E como fosse muito leve, por ele foi carregada, executando uma dança qualquer, imersa no nada.
Desfez-se das meias e dos brincos, das roupas de baixo, tão pálidas, e logo se postou nua diante do infinito a imaginar.
Imaginava-se sob a pele do tempo, percorrendo as suas vísceras, como uma doença, provocando tumores e aniquilando a História.
Era perfeita a sua soma ao infinito, a impossibilidade de todas as coisas, e logo se foi fazendo sombra até desaparecer: a Noite.
Imaginei a pedra rolar
Ao deixar livre as mãos do condenado,
Dando vasão aos sonhos
Para corromper o destino.
Mas o infinito é a única,
A última
E a mais ilusória das possibilidades.
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imaginação |
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Escrito por Juliana de Albuquerque K.
Dezembro 18, 2007
” (…) Bem, ontem, quando eu trabalhava no Deux Magots, Koester veio me encontrar; ele como você sabe, é autor de Darkness at Noon e de Spanish Testament (este último excelente). Não me lembro o que você achou dele como escritor, mas creio ter lhe contado a estranha noite que passamos com ele, Sartre, Camus e eu: bêbados, chorávamos por nossa amizade e nossas divergências poíticas; foi muito estranho . Gosto muito dele, bem como de sua bela e gentil mulher. Fomos juntos a uma exposição de Monet, Manet, Renoir e Lautrec, os mesmos pintores que vimos juntos no museu de Chicago e isso apertou o meu coração. Mas não lhe contei que, no ano passado, dormi uma vez com ele, experiência curiosa porque, embora atraídos um pelo outro, éramos totalmente opostos “por divergências políticas”. Ele achava que eu não era suficientemente anticomunista. Essas oposições não me preocupavam absolutamente, mas a ele sim, e elas acabaram por deixá-lo agressivo. Ora, eu odeio a agressividade, principalmente quando misturada a assuntos sexuais, tanto que não houve uma segunda vez. Ontem pensei o seguinte: (…)” nada de importante, pessoalidades “Voltando ao Deux Magots, encontrei Jean Genet, o pederasta ladrão, que foi muito amável e muito engraçado, mas ue me impediu de trabalhar. Depois, foram outros conhecidos; em suma, perdi a manhã. Decidi, de agora em diante, permanecer de manhã em meu quarto. Neste momento, bebo chá e como pão e geléia e vou trabalhar em casa, é melhor. Fui com Sartre encontrar um sujeito da rádio. Teremos meia hora semananl para falar de temas sociais e políticosa partir do próximo sábado. (…) Não só os socialistas, mas agora também os anarco-sindicalistas nos pedem que os ajude a formular uma idelogia. Estes últimos são muito mais interessantes, porque são jovens e audaciosos. E como sabem odiar! Ai! Todas essas oportunidades de agir concretamente, eficazmente, acontecem em um momento em que não há mais nada a esperar, com todo mundo acreditando que haverá guerra dentro de dois anos. O que você acha disso? Paris tornou-se encantadora. Nós nos sentamos no terraço de um café no boulevard Montparnasse e discutimos Hegel, que estudamos neste momento e que é um filósofo muito difícil. Durante todo o dia, trabalhei bastante, é a única coisa que me ajuda concretamente. Depois de ter passado na Temps Modernes para responder às cartas, pus-me a trabalhar em meu livro. O número da Politics onde apareceram artigos meus, de Sartre e de Merlau-Ponty é o de julho-agosto – leia-o. (…)” Simone de Beauvoir, Cartas a Nelson Algren.
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inspiração |
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Escrito por Juliana de Albuquerque K.
Dezembro 17, 2007
Imagino que a vida possa correr desta forma. Por que alvoroçar-se com questões absurdas quando apenas uma coisa é certa? A morte nos aguarda com um largo sorriso e braços abertos ao cabo de algumas décadas. Mas, permanecer boquiaberta, absorta em lembranças, embalada pelo torpor de uma espera predita é tão frustrante quando passar as tardes de verão resolvendo velhos exercícios de aritmética. Dois mais dois faz quatro, conto com impaciência o dinheiro que guardo na carteira, anoto mentalmente o que me resta de limite no cartão de crédito; sem maiores surpresas deixo o desejo tomar conta dos meus olhos, troco sorrisos com alguém sentado à mesa do lado, tenho por amante um estranho, caso, emprenho, alimento uma prole, envelheço e passo a colecionar mentiras, a estabilidade desfaz os nossos planos de carreira, os nossos planos de amor, os nossos filhos se transformam em fardos, e diante de mim resta apenas uma certeza, o sorriso se transforma numa massa de carne murcha, estranho o amante que tenho; troco alguns suspiros comigo mesma, fecho terminantemente os meus olhos e alguém escreve sobre a minha lápide o seguinte epitáfio: Aqui jaz Alice, amada esposa, mãe e companheira.
Nada mais belo do que um enterro digno, repleto de lágrimas, cantorias e preces para atestar o tamanho do amor que nunca existiu para mim. Deve ser maravilhoso deitar-se entre as flores, não sentir pesar a luz do sol sobre as pálpebras, não mais escutar o eco da consciência: a morte nos redime desta existência, perdoa nossa falta de sinceridade, e por fim nos faz mesmo desaparecer sob o solo, para sempre. Para longe de tudo, até a última fotografia desbotar-se, até os últimos souvenires serem atirados ao lixo.
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imaginação |
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Escrito por Juliana de Albuquerque K.
Dezembro 17, 2007
Não quero reduzir a experiência filosófica do século XX a uma escola de pensamento. Igualmente, não pretendo encontrar cabelo em sovaco de cobra, tentando estabelecer semelhanças entre pensamentos por vezes diametralmente opostos. Mas, inevitavelmente persisto na crença de que mesmo os antagonismos brotam de um diálogo constante no seio da História da Filosofia: o momento da refutação é igualmente um momento de afirmação do que se procura negar. Ora, tudo carrega em si o seu oposto. Quando se resta esquecido desta premissa, todo pensamento padece. Assim, considero irresponsável a atitude servil que alguns são capazes de tomar diante de um pensador. Como se este sozinho pudesse lhe traduzir a realidade, para quietar uma angústia lhe fazendo consumir conceitos como se fossem calmantes. Não consigo compreender, mas talvez seja louca, e o absurdo da minha condição é constatar que alguns, enquanto servos se atiram na defesa do mestre com todas as armas, quando o que se espera de um bom discípulo é o enfrentamento, e mais tarde o inadiável parricídio.
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humor |
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Escrito por Juliana de Albuquerque K.