Notas de estudo do último semestre de 2007:
O fundamento do conteúdo enciclopédico é o saber absoluto da filosofia especulativa. Esse mesmo conteúdo enciclopédico que era fim da filosofia do espírito é agora início da Lógica. Levando a crer que o saber que é o fim é a verdade do começo. Ora, o ser abstrato, porque indeterminado, do começo só é possível porque é pressuposição de si posta pelo concreto final que é idéia absoluta para que se ponha como verdade (o todo que é a essência que se implementa através do seu desenvolvimento §20 Prefácio da Fenomenologia do Espírito.) e necessidade.
Entretanto, para que haja a posição do concreto mediante o movimento do abstrato que deve ser apreendido como pressuposição abstrata de si do concreto (final do §1 da Enciclopédia das Ciências Filosóficas de 1830, para o qual “a dificuldade de instituir um começo apresenta-se ao mesmo tempo, porque um começo, como algo imediato, faz sua pressuposição; ou melhor, ele mesmo é sua pressuposição”.) se deve levar em conta que aquele saber que é o fim e é a verdade do começo é apenas na medida em que o saber absoluto (enciclopédico) que se põe deve ser mediatizado pelo seu próprio conteúdo enquanto mediatizando-se nele. Logo, nas passagens do ponente ao posto; concreto e abstrato condicionantes do ser verifica-se a transição regressiva de insuficiência do posto à necessidade do ponente em resolver a contradição desta condição na medida em que reconcilia os seus termos em uma unidade em que estão ligadas as suas diferenças para que exista a auto-fundamentação no saber absoluto da filosofia especulativa que encontra lugar no ser que por ser imediato e idêntico é perfeita mediação consigo mesmo e diferenciação de si.
Provando que o método filosófico, tanto sintético (porque não tem a diferença posta neste conceito) quanto analítico (contido num conceito imediato), é tanto identificação quanto diferenciação. O caminho dialético sendo a identificação da identificação e da diferenciação. Demonstrando que a Razão, espírito objetivo, é a pulsão do conceito na medida em que para que todo pensamento seja conceito deva necessariamente se manifestar ou objetivar, pois só é como identidade de sua diferença. Tomando o devido cuidado para que de identidade da identidade e da diferença este pensamento não passe à diferença da identidade e da diferença o que iria gerar um pensamento unilateral, do entendimento, que encontra arrimo nas ciências empíricas, no texto do Bourgeois exemplificadas pela Matemática e no Prefácio da Fenomenologia com a alusão à Anatomia. Ora, a leitura de Hegel exige que nos sacrifiquemos como seres mal-pensantes para reencontrarmos na filosofia especulativa, no absoluto como sistema conceitual do mundo fenomênico, o concreto, a verdade através da sua necessidade de se dar em conceitos e tornar-se inteligível. Vale ressaltar que é no concreto que o pensamento especulativo se revela como verdade da vida, esta que só pode ser captada especulativamente já que nela precisamente existe o especulativo. O que exige do leitor da ENZ. Atualização em sua reflexão do movimento do um em sua dualidade (contradição superada da identificação e da diferenciação) constitutiva de toda a vida.
Escrito por Juliana de Albuquerque K. 
Escrito por Juliana de Albuquerque K.
Escrito por Juliana de Albuquerque K. 
