Os piores da década.

Novembro 19, 2009

A lista dos cinco piores livros da década segundo o jornal inglês The Time:

5. Dylan’s Visions of Sin by Christopher Ricks (2003)

It’s not that Dylan’s lyrics aren’t worth studying, or that Ricks lacks the intellect for the job. It’s just that this “love letter to Dylan” is as embarrassing to read as any adolescent epistle if you’re not in the relationship yourself.

4. Vernon God Little by D. B. C. Pierre (2003)

This ugly, lazy debut about a school massacre in Texas won the Man Booker Prize in 2003: the judges said that it was a “coruscating black comedy reflecting our alarm but also our fascination with America”; we beg to differ.

3. Being Jordan by Katie Price (2004)

The book that made possible not only her “literary” career, but also those of such figures as Jade Goody and Kerry Katona. Highly influential, but not in a good way.

2. The Secret by Rhonda Byrne (2006)

Telling us that we need to think positive thoughts, we could accept. But to dress up the advice with inadequately assimilated quantum theories, along with references to Jesus, Newton, Beethoven and Einstein: this was unbearable.

1. The Da Vinci Code by Dan Brown (2003)

“Renowned curator Jacques Sauniere . . .” not the intro to a tabloid news story, but to the bestselling adult novel of the decade. The irrelevance of prose quality to sales has surely never been so starkly revealed.


Husserl.

Novembro 16, 2009

“Em lugar de um embate sério entre teorias divergentes, cujo próprio antagonismo é suficiente para comprovar a solidariedade interna, a comunhão dos fundamentos e a fé inquebrável de seus autores em uma filosofia verdadeira, temos uma pseudo-exposição e uma pseudocrítica, uma aparência de colaboração verdadeira e de ajuda mútua no trabalho filosófico.” (Husserl, Edmund. Meditações Cartesianas: introdução a fenomenologia. p.22-23)


Cocteau.

Novembro 9, 2009


Sextus Empiricus

Outubro 28, 2009

“If Socrates was born, then Socrates was generated either when Socrates did not exist or when Socrates already existed. But if he is said to have been generated when he already existed, he will have been generated twice; and if when he did not exist, then at the same time Socrates both existed and did not exist – he existed insofar as he had been generated and he did not exist by hypothesis. And if Socrates died, he died either when he was alive or when he was dead. He did not die, when he was alive – for then the same man would have been both living and dead. Nor when he was dead; for then he would have been dead twice. Therefore Socrates did not die.”5 [It is implicit from the beginning that there is a time at which Socrates existed. Sextus chose not explicitly to draw, though they do follow, the additional conclusions that Socrates was not born, that Socrates existed always, and will always exist, and that it is the same for everyone, that is, that for every x, if x ever exists, then x existed always and will always exist.]“


Zaza

Outubro 21, 2009

” Quelle ardeur de vie dans vos deux lettres! Vous me faites presque peur, la peur qu’on a devant une belle auto lancée à pleine vitesse en imaginant un instant ce qui arriverait si le moindre boulon venait à lâcher. Je comprends bien cette joie totale d’exister, bien que je ne l’éprouve jamais que passagèrement; très vite je vois le but de cette course, cela n’enlève pas pour moi leur prix aux choses, cela m’empêche de m’y abandonner complètement : que sert à l’homme de gagner l’univers ?… C’est toujours cela qui revient. Mais ne croyez pas que je veuille maintenant diminuer votre bonheur, j’y prends au contraire une part si grande qu’après avoir lu votre lettre je suis prise, moi aussi, par la douceur de la vie, même par un certain désir d’être plus activement heureuse que je ne suis, de donner, de recevoir, d’agir, d’aimer, de vivre.”

Association Zaza


Relações de alteridade nos grupos primários da sociedade pernambucana.

Agosto 27, 2009

Texto que escrevi e que postei no Recife não é Manhattan (o meu antigo blog) em 03 de Janeiro de 2007 :

Um rabino cabalista explica os prejuízos causados pela energia negativa, e eu luto contra o moralismo disfarçado de ética. Procuro me situar no universo em que estou inserida e, finalmente, encontro a resposta para todos os meus problemas:

Recife não é Manhattan.
Manhattan não é Paris.
Eu não faço parte deste mundo.

Numa cidade em que as relações de alteridade são postas no futebol, entre um e outro jogo, as pessoas seguem instintos primitivos. O primeiro deles: a sobrevivência. Todos são levados a agir como caranguejos presos em um caçoa*. Mas, o pior de todos os instintos é aquele da perpetuação da espécie.

O pernambucano tem necessidade de afirmação através da sua prole. Ela é a grande motivação da sua vida e simboliza todas as suas frustrações. A relação entre pais e filhos é completamente sem futuro. Nela não existe encontro nem desencontro, apenas uma reprodução dos comportamentos adquiridos. Padrões perpetuados pela ‘boa convivência’ citadina.

Existe o boi e o touro. Nada além de figurações masculinas de força em que a potência foi posta a prova faz tempo. A mulher (vaca, pata ou galinha) trata-se apenas de uma contingência, ou, se preferir, de um mal necessário.

Este é um mundo para lá de Omã. Camus, em toda sua literatura do absurdo, não seria capaz de recriar tão pavoroso cenário. Aqui, além das casas serem voltadas contra o mar, as mentes ensimesmadas atiram-se na total falta de responsabilidade: no que somos faltosos nos socorre a divina providência.

Existir não é prerrogativa do pernambucano. Este se contenta com o uivar do vento em seu juízo. De bar em bar preenche os seus dias. Busca instruir os machos mais novos a buscar o seu mesmo caminho: o mais fácil. Ninguém precisa pensar.

Enquanto isso, em casa, as figuras femininas dividem-se. Seus padrões são aqueles para o acasalamento: cortesia, vulgaridade e amabilidade. A palavra de ordem: sim, eu aceito. Mãe e filha instrumentalizadas pelo mesmo manual. Jamais serão amigas, afinal a humanidade é constantemente negada pela supressão da existência. Filha e esposa, em verdade, completam a mesma figura no imaginário de culpa masculino. É o incesto que assume a covardia em forma de platonismo.

Neste quadro funesto as relações domésticas desembocam no mundo profissional para derramar toda a sua falta de objetividade e propósito. Os projetos e as metas não fazem sentido algum. O que irá importar será a sobrevivência. Sempre o instinto e a perseguição selvagem àquele que se demonstra mais humano.

Vou-me pegar ao rabino. De todos, o menos santo.


Reflexões Hegelianas.

Agosto 27, 2009

Uma pequena reflexão para compreender o problema das contradições no sistema Hegeliano e conseguir rebater a crítica de Popper. E, por fim, uma tentativa de “fundar” um diálogo entre os pensamentos de Hegel e Leibniz amparado pelas Controvérsias e o estímulo da Soft-Rationality.

Posto que Hegel foi um admirador entusiasmado de Aristóteles seria demasiado injusto declarar que a admissão de contradições pelo seu sistema legitimaria a trivialidade de toda e qualquer preposição.

A estrutura da Lógica Hegeliana contempla os seguintes momentos: 1) o entendimento; 2) a dialética; 3) o especulativo. Os quais podem ser compreendidos da seguinte maneira: o entendimento consiste em proposições unilaterais; a dialética apresenta o outro daquela proposição unilateral para que se faça o exercício da negação; e, por fim, o especulativo é o movimento de síntese entre a proposição inicial e a sua negação. Ou melhor, o especulativo é o momento em que se funda a estrutura da Idéia. Isto é: daquilo que é mais real por tratar-se do movimento de unidade entre o conceito e a sua efetivação.

As contradições são admitidas como existentes por Hegel porque, segundo ele, todo finito é contraditório. E, este é um fato básico, possível até mesmo de se perceber pela experiência. Mas, quando se fala em Lógica, posto que, para ele esta seja a ciência do puro pensar. Ou, melhor, a linguagem adotada por D’us para a criação do mundo antes da criação. As contradições devem ser suprassumidas, i.e., suprimidas, conservadas e elevadas num só movimento. Assim, tem-se que através da aplicação do conceito de suprassunção – chave para o entendimento da filosofia hegeliana – reside a resposta de Hegel à crítica de Popper: o Sistema não legitima a trivialidade de toda e qualquer preposição porque, em primeiro lugar, Hegel adota o princípio da não-contradição. Desta maneira, é possível ser dito que, através da suprassunção a contradição existente entre os contraditórios será suprimida na medida em que é conservada e transformada numa unidade onde reside a verdade da proposição[1]. E, em segundo lugar, a Lógica não se refere à realidade fenomênica (muito embora as suas categorias sejam encontradas na filosofia da realidade), mas ao saber absoluto. Isto é:

“o fundamento do conteúdo enciclopédico é o saber absoluto da filosofia especulativa. Esse mesmo conteúdo enciclopédico que era fim da Filosofia do Espírito é agora início da Lógica. Levando a crer que o saber que é o fim é a verdade do começo. Ora, o ser abstrato, porque indeterminado, do começo só é possível porque é pressuposição de si posta pelo concreto final que é idéia absoluta para que se ponha como verdade (o todo que é a essência que se implementa através do seu desenvolvimento §20 Prefácio da Fenomenologia do Espírito.) e necessidade.” (ALBUQUERQUE, 2006).

Defende-se ainda a utilização do princípio da não-contradição por Hegel através do seguinte raciocínio: se o absoluto é o momento em que existe a efetivação do conceito na sua identidade consigo mesmo (ou seja, na sua liberdade). E, sendo o absoluto um momento auto-reflexivo e onde as categorias são auto-refetentes: seria absurdo constatar que na sua estrutura existisse uma contradição que nos levasse a demonstrar uma inverdade no bojo da sua movimentação. Mesmo porque o absoluto enquanto D’us não pode acarretar em imperfeições. Cito, ainda, o §19 da Enciclopédia: “a lógica é a ciência da idéia pura, ou seja, da idéia no elemento abstrado de pensar.” e, por isso exige a habilidade de se recolher no puro pensamento (ver HÖSLE, p.91).

Isto pode ser afirmado porque o significado da partícula “e”, enquanto conectivo, dentro da lógica dialética difere do significado da mesma na lógica tradicional. Isto porque a lógica dialética é uma lógica de três valores (ver o segundo parágrafo). Cito Hösle:

“é claro que tal lógica deveria ter (pelo menos) três valores de verdade, dos quais os dois primeiros representariam modos diversos de unilateralidade; um terceiro valor de verdade – aquele da verdade – seria reservado à proposição que pudesse ser interpretada como conjunção de duas proposições parciais, às quais conviria cada vez um dos dois valores de verdade citados inicialmente. Todavia, seria inevitável em tal cálculo abordar o conteúdo das proposições parciais; com efeito, elas teriam de ser complementares em termos de conteúdo, para que sua ligação pudesse  produzir uma proposição verdadeira. Tal cálculo evidentemente não estaria em oposição ao da lógica de dois valores; ele seria apenas uma ampliação dele. Como se sabe, um cálculo de três valores com vista na interpretação da lógica dialética foi elaborado por G. Günther, cujas contribuições a respeito (1976 ss.) foram editadas em uma coletânia de artigos em três volumes.” (p. 187)

Com esses argumentos fica provada a ineficácia de parte da crítica de Popper à Hegel. Resta ainda analisar se o sistema hegeliano, através dos seus próprios pressupostos, é imunizado contra qualquer crítica e se arvora de ser uma pretensão dogmática a verdade. O que será feito em texto mais oportuno. De qualquer forma, aqui segue um pensamento: certamente Hegel foi consistente na elaboração do seu sistema. Mas, o que pode ser dito de uma consistência moldada pela parcialidade de assunções unilaterais em relação aos sistemas que lhe precederam na tradição?

Falo da crítica de Hegel à Leibniz através da queixa de que o sistema do último estaria moldado um emaranhado de contradições tendo em vista o conceito das monadas. Aliás, o entendimento de Hegel sobre Leibniz é prejudicado em muitos aspectos. O que nos deixa inseguros quando afirmamos que o conceito de Soft-Rationality poderia estar ligado ao conceito de suprassunção. Mas, essa insegurança não deveria existir. E, se abolirmos o fator “vaidade” dos escritos hegelianos, veremos que, realmente, existe uma ligação entre esses dois conceitos.

O que acontece, conforme correspondência anterior é:

“Bom, quero dizer o seguinte: que se mergulharmos na interpretação que Hegel dá à Leibniz chegaremos à seguinte possível conclusão: existiria uma falha na mediação dos argumentos do possível diálogo entre Hegel e Leibniz. De onde se tira que, no debate,  a tarefa de reconstrução do pensamento do outro não foi levado às suas últimas conseqüências. Esta falha provoca o prejuízo da perda da capacidade de intercâmbio de linguagens. E, dessa maneira o exercício de se colocar no lugar do outro durante a contenda estaria prejudicado.” (ALBUQUERQUE, 2008)

Daí, proponho novamente que o problema da relação entre Hegel e Leibniz no âmbito da soft-rationality seja levado à cabo pelo conceito do recohecimento:

“Será que este cenário de concessões mútuas pautadas dentre outras coisas, na tomada de consciências das partes em contenda, de que entre elas existe uma situação assimétrica na luta por poder e reconhecimento pode ter sido algo levado adiante por Hegel na categoria do mútuo reconhecimento? Dentre outras coisas temos que o conhecimento para Hegel é como a análise feita por Paul Claudel do verbo connaître, o que significaria nascer com, apontado para nascer uma realidade que é relacional. Assim, o conhecimento seria “construído” nesse diálogo do eu com o outro. Mas, esse nascimento com o outro, ou a formação do conhecimento, que possui dentre outras categorias, a linguagem enquanto tecido conjuntivo, não é imediatamente pacífica: primeiro desponta em forma de luta, para que depois possa haver a possibilidade de um cenário de correspondência (…).” (ALBUQUERQUE, 2008)


[1] Pense no seguinte caso: os conceitos de Ser e Nada são contraditórios. Todavia, na medida em que um ‘confronta’ o outro, tem-se que aquele menos ‘resistente’ é suprimido e, ao mesmo tempo, conservado, no movimento interno de um novo conceito que surge da reunião entre Ser e Nada: o vir-a-ser (o devir).


Tantas palavras.

Agosto 7, 2009

Tel Aviv é  uma cidade que precisa ser amada. Para tanto, ela se debruça sobre o Mediterrâneo à procura do reconhecimento ocidental. Mas, entre os seus boulevards de atmosfera européia e as suas longas avenidas repletas de espigões à moda norte-americana se esconde uma cidade cuja timidez calcada numa identidade rústica e andarilha impede o desenvolvimento de uma verdadeira capital do oriente.

Capital que se esconde em escombros soterrados por um século de concreto cujo amálgama se traduz num passado errante de suor e de lágrimas.  Quais seriam os segredos e os verdadeiros dramas do mundo que se oculta sob as pedras do asfalto e os alicerces dos shopping centers?

Tel Aviv é  uma cidade fantástica tal o Castelo de Kafka. Talvez eu ainda não a tenha compreendido: talvez! Mas, sei o que sinto e, desavisada, busco romper a superfície. Quero quebrar o chão que sustenta as minhas passadas.  Pois, este chão, ora já se viu, não se quer deixar pisar: não se quer fazer sentir.

Onde está  Tel Aviv? Procuro esquinas: não as encontro. Procuro pessoas: não as percebo. Vejo, enfim, cachorros. Todos eles muito gordos a marcha rumo ao progresso. Mas, não é isso o que eu quero.

Sinal fechado. Os ônibus passam. Os telefones apitam. Enquanto isso eu permaneço no silêncio de D’us. E, lá onde a minha vista se perde as adolescentes plantam os seios verdes nos rostos lisos dos namorados. Preciso de putas! Não quero crianças.

Preciso de vida! Ânima! Drama! Corpos maduros que se abram ao prazer e se deixem consumir pelo sol e pelo trabalho incessante de uma vida cujo o único sentido é se deixar viver. Preciso das mãos que sufocam o gozo preso na garganta para desvirginar o chão. Através delas irei destruir o progresso, desconstruir o Castelo e encontrar a morada no útero da primavera. Pois, não existe a necessidade do amor. Existe apenas a vida.


Beauvoir

Julho 29, 2009

“(…) Être féminine, c’est se montrer impotente, futile, passive, docile. La jeune fille devra non seulment se parer, s’apprêter, mais réprimer sa spontanéité et lui substutuer la grâce et le charme étudié que lui enseignent ses aînées. Toute affirmation d’elle-même diminue sa féminité et ses chances de séduction. Ce qui rend relativement facile le départ du jeune homme dans l’existence, c’est que sa vocation d’être humain et de mâle ne se contrarient pas: déjà son enfance annonçait ce sort heureux. C’est en s’accomplissant comme indépendance et liberté qu’il acquiert sa valeur sociale et concurremment son prestige viril: l’ambitieux,  tel Rastignac, vise l’argent, la gloire et les femmes d’un même mouviment; une des stéreotypies qui le stimulent, c’est celle de l’homme puissant et célèbre que les femmes adulent. Pour la jeune fille, au contraire, il y a divorce entre sa condition proprement humaine et sa vocation féminine. Et c’est pourqoui l’adolescence est pour la femme un moment si difficile et si décisif. Jusqu’alors elle était un individu autonome: il faut renoncer à sa souveraineté. Non seulment elle est déchirée comme ses frères, et d’une manière plus aigüe , entre le passé et l’avenir; mais en outre un conflit éclate entre sa revendication originelle que est d’être sujet, activité, liberté, et d’autre part ses tendances érotiques et les sollicitations sociales qui l’invitent à s’assumer comme objet passif. Elle se saisit spontanément comme l’essentiel: comment se résoudra-t-elle à devenir l’inessentiel? Mais si je ne peux m’accomplir qu’en tant qu’Autre, comment renoncerai-je à mom Moi? Tel est l’angoissant dilemme devant lequel la femme en herbe se débat. Oscillant du désir au dégoût, de l’espoir à la peur, refusant ce qu’elle appelle, elle est encore en suspens entre le moment de l’indépendance enfantine et celui de la sousmission féminine: c’est cette incertitude qui lui donne au sortir de l’âge ingrat un goût acide de fruit vert.” Simone de Beauvoir, Le Deuxième Sexe Vol. II, p. 98/99


Enciclopédia das Ciências Filosóficas, 1830.

Junho 16, 2009

Notas de estudo do último semestre de 2007:

O fundamento do conteúdo enciclopédico é o saber absoluto da filosofia especulativa. Esse mesmo conteúdo enciclopédico que era fim da filosofia do espírito é agora início da Lógica. Levando a crer que o saber que é o fim é a verdade do começo. Ora, o ser abstrato, porque indeterminado, do começo só é possível porque é pressuposição de si posta pelo concreto final que é idéia absoluta para que se ponha como verdade (o todo que é a essência que se implementa através do seu desenvolvimento §20 Prefácio da Fenomenologia do Espírito.) e necessidade.

Entretanto, para que haja a posição do concreto mediante o movimento do abstrato que deve ser apreendido como pressuposição abstrata de si do concreto (final do §1 da Enciclopédia das Ciências Filosóficas de 1830,  para o qual “a dificuldade de instituir um começo apresenta-se ao mesmo tempo, porque um começo, como algo imediato, faz sua pressuposição; ou melhor, ele mesmo é sua pressuposição”.) se deve levar em conta que aquele saber que é o fim e é a verdade do começo é apenas na medida em que o saber absoluto (enciclopédico) que se põe deve ser mediatizado pelo seu próprio conteúdo enquanto mediatizando-se nele. Logo, nas passagens do ponente ao posto; concreto e abstrato condicionantes do ser verifica-se a transição regressiva de insuficiência do posto à necessidade do ponente em resolver a contradição desta condição na medida em que reconcilia os seus termos em uma unidade em que estão ligadas as suas diferenças para que exista a auto-fundamentação no saber absoluto da filosofia especulativa que encontra lugar no ser que por ser imediato e idêntico é perfeita mediação consigo mesmo e diferenciação de si.

Provando que o método filosófico, tanto sintético (porque não tem a diferença posta neste conceito) quanto analítico (contido num conceito imediato), é tanto identificação quanto diferenciação. O caminho dialético sendo a identificação da identificação e da diferenciação. Demonstrando que a Razão, espírito objetivo, é a pulsão do conceito na medida em que para que todo pensamento seja conceito deva necessariamente se manifestar ou objetivar, pois só é como identidade de sua diferença. Tomando o devido cuidado para que de identidade da identidade e da diferença este pensamento não passe à diferença da identidade e da diferença o que iria gerar um pensamento unilateral, do entendimento, que encontra arrimo nas ciências empíricas, no texto do Bourgeois exemplificadas pela Matemática e no Prefácio da Fenomenologia com a alusão à Anatomia. Ora, a leitura de Hegel exige que nos sacrifiquemos como seres mal-pensantes para reencontrarmos na filosofia especulativa, no absoluto como sistema conceitual do mundo fenomênico, o concreto, a verdade através da sua necessidade de se dar em conceitos e tornar-se inteligível. Vale ressaltar que é no concreto que o pensamento especulativo se revela como verdade da vida, esta que só pode ser captada especulativamente já que nela precisamente existe o especulativo. O que exige do leitor da ENZ. Atualização em sua reflexão do movimento do um em sua dualidade (contradição superada da identificação e da diferenciação) constitutiva de toda a vida.